Quase ficava esquecida a segunda parte das impressões de viagem de Bilbao, para a qual estava reservado o que de mais óbvio tem a cidade: o museu Guggenheim. A imagem do museu faz parte da memória visual de qualquer pessoa, o que causa sempre o receio de que a "coisa mesma" fique longe das expetativas; no entanto, a desilusão temida não acontece. Gostei muito, mesmo muito do Guggenheim. Das cores que mudam com a hora do dia, entre o cinzento do fim de tarde, quando primeiro o vimos, e o bege da manhã seguinte, num dia com mais sol. Do enorme jardim-urso, a explodir de malmequeres multicoloridos e flashes dos visitantes. Dos planos de escadas, rigorosamente traçados. Dos labirintos de planos e chapas e telhados, como num bailado em que a matéria mais sólida (o titânio) parece flutuar no espaço. Da ponte que enquadra o enorme edifício. Das pessoas que correm, das crianças que brincam, das esplanadas que se enchem, porque os bilbaínos vivem a sua cidade e o seu museu, intensamente.
O Guggeheim encanta e fascina, e ainda nem sequer entrei (fica para a parte 3). Podia existir um monumento assim numa cidade portuguesa? Acredito que sim, que podia ter existido e podia ter mudado a face de uma cidade, de uma região, de um país. Parabéns, Bilbao, este museu tem, como edifício, como conceção e como vivência, a marca do génio.
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