Reunião dos representantes de turma com a Associação de Pais do agrupamento. A sala é antiga, com tetos altos e paredes desmaiadas, a lembrar os tempos dos pais e não as vivências dos filhos. As vozes ecoam, ampliadas, e é muito o ruído de fundo, a dificultar um fio de discurso coerente. É sempre assim, sabe-se, os pais querem falar das situações concretas que vivem, ou então aproveitam para pôr a conversa em dia com a amiga que está sempre apressada mas ali não, veio com tempo para gastar porque trata-se da escola dos filhos e isso supera outras prioridades.
No meio de assuntos que interessam mais a este ou aquele grupo de pais, emergiu um que, por razões naturais, tinha mais relevância para mim: os exames do 4º ano. Declaro, à partida, a minha total discordância destes exames, por entender que de nada servem e bastantes males trazem. A confusão gerada em torno do assunto confirma as minhas convicções. (Muitos) Pais ansiosos e tensos com a indefinição do modelo e dos conteúdos a avaliar; relatos de (vários) professores a colocar uma pressão enorme sobre crianças e pais logo no início do ano letivo. A sensação é a de que nos preparamos para uma maratona com ritmo de corrida de velocidade. E para quê? Porquê? Qual o objetivo de tudo isto?
Convinha que alguém, de algum modo, em algum momento, explicasse os ganhos de classificar crianças de nove anos. A palavra é propositada: classificar. Avaliar é outra coisa. E isto não é eduquês, é senso comum.
Um blogue de pequenos absurdos...sobre literatura, quotidiano, cultura, acontecimentos. Ideias para negar a melancolia e procurar caminhos.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Os filhos fazem nascer as mães
Os filhos fazem nascer as mães muito antes do dia do nascimento, às vezes devagarinho, às vezes num sobressalto, como é próprio dos grandes acontecimentos que mudam para sempre para a face da Terra - pelo menos a face que reconhecemos como nossa, nos limites que nos permitem fincar o pé e saber quem somos.
Os filhos nascem num tempo indeterminado, marcado pelo compasso dos sonhos e dos medos, e crescem acompanhados do barulho ritmado do coração das mães, nessa espera apaixonada que conhece a violência dos contrários - alegria e angústia, esperança e desalento, sorrisos e lágrimas.
Os filhos chegam para fazerem as mães acreditar que são as pessoas mais insignificantes e mais importantes do mundo, que não pertencem a si mesmas e que é preciso cautela com o que fazem de si.
Os filhos reinventam as mães em cada dia porque as olham como uma extensão do seu eu que está a aprender a ser, e para se afastarem precisam de uma mão que os agarre - as mães sabem que têm de ensinar os filhos a saltar os muros que não se cansam de refazer, pedra a pedra.
Há nove anos nasciam as minhas filhas, após uma longa espera que me fez nascer mãe antes de saber sequer do milagre da sua existência. É difícil fugir aos lugares comuns quando se fala dos filhos, sobretudo dos próprios. São as crianças mais especiais do mundo, porque são as minhas. E são as melhores filhas que uma mãe pode ter. O amor diz-se assim, com banalidades. Feliz aniverário, filhas.
Os filhos nascem num tempo indeterminado, marcado pelo compasso dos sonhos e dos medos, e crescem acompanhados do barulho ritmado do coração das mães, nessa espera apaixonada que conhece a violência dos contrários - alegria e angústia, esperança e desalento, sorrisos e lágrimas.
Os filhos chegam para fazerem as mães acreditar que são as pessoas mais insignificantes e mais importantes do mundo, que não pertencem a si mesmas e que é preciso cautela com o que fazem de si.
Os filhos reinventam as mães em cada dia porque as olham como uma extensão do seu eu que está a aprender a ser, e para se afastarem precisam de uma mão que os agarre - as mães sabem que têm de ensinar os filhos a saltar os muros que não se cansam de refazer, pedra a pedra.
Há nove anos nasciam as minhas filhas, após uma longa espera que me fez nascer mãe antes de saber sequer do milagre da sua existência. É difícil fugir aos lugares comuns quando se fala dos filhos, sobretudo dos próprios. São as crianças mais especiais do mundo, porque são as minhas. E são as melhores filhas que uma mãe pode ter. O amor diz-se assim, com banalidades. Feliz aniverário, filhas.
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