Depois de um longo interregno, motivado sobretudo pelas férias, mas também por um enfraquecimento da vontade, eis que este blogue está de volta, e para ficar. Os tempos não são de silêncios, mas de vozes, mesmo que por vezes se arraste mais um lamento do que lance um grito.
Dizia O'Neill: "A vida não é de abrolhos./É de abr'olhos.// A vida não é de escolhos./ É de escolhas." Grande poeta, é isso mesmo. Deste lado, num fio de palavras frequentemente desajeitado e frágil, regressa o desejo de fincar reflexões, pensamentos, curiosidades e desabafos.
As férias terminaram. Ficam, como um separador entre o antes e o agora, alguns instantâneos de um tempo que foi de partilha, descanso e luz.
Um blogue de pequenos absurdos...sobre literatura, quotidiano, cultura, acontecimentos. Ideias para negar a melancolia e procurar caminhos.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Mais um dia...o da poesia
Afinal, as efemérides não ficam por aqui...no dia mundial da poesia, tomai lá do O'Neill*
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
* Título de um documentário sobre Alexandre O'Neill e também de uma peça de teatro inspirada na sua vida e obra.
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de
quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Mesa dos Sonhos
Mesa dos Sonhos
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
Os poemas não precisam de legendas, nem as deveriam ter. Mas quando lemos um poema de que gostamos muito - e eu gosto muito da poesia de Alexandre O'Neill - dá-se o reconhecimento de uma verdade interior, que implusiona a expressão e motiva a palavra. Os poemas também não são monumentos. Podemos falar deles, com eles e sobre eles - por isso estão vivos.
A "mesa dos sonhos" de que fala O'Neill é um grito de esperança num tempo de pessimismo e desilusão, como era o dele - a longa sombra salazarista - como é, de certo modo e talvez inesperadamente também o nosso tempo. Defendemo-nos da morte com os sonhos, ao lado uns dos outros - precisamos de um pequeno aburdo destes, todos os dias.
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