Depois de um longo interregno, motivado sobretudo pelas férias, mas também por um enfraquecimento da vontade, eis que este blogue está de volta, e para ficar. Os tempos não são de silêncios, mas de vozes, mesmo que por vezes se arraste mais um lamento do que lance um grito.
Dizia O'Neill: "A vida não é de abrolhos./É de abr'olhos.// A vida não é de escolhos./ É de escolhas." Grande poeta, é isso mesmo. Deste lado, num fio de palavras frequentemente desajeitado e frágil, regressa o desejo de fincar reflexões, pensamentos, curiosidades e desabafos.
As férias terminaram. Ficam, como um separador entre o antes e o agora, alguns instantâneos de um tempo que foi de partilha, descanso e luz.
Um blogue de pequenos absurdos...sobre literatura, quotidiano, cultura, acontecimentos. Ideias para negar a melancolia e procurar caminhos.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Escrever (1)
"Quando penso o que pude escrever ignorando tanto! Mas hoje, que sei um pouco mais, sei apenas o mais que ainda ignoro, e continuo a escrever, porque sei que nunca há tempo para saber, e que afinal não é assim tão importante, desde que, por alguns instantes, tenha sido capaz de pensar, isto é, de entrar no meu corpo de palavras para ser capaz de as mover por dentro e dizer precisamente o que não sei, o que nunca escrevi, tudo o que nunca escrevi, e dizê-lo a alguém, para ti, baixinho, cartas de um jogo perdido, cartas definitivamente por escrever, e o teu nome no fim da página, lugar igual a tantos outros, e, no entanto, neste momento exacto em que o dizes, irrepetível, repito que irrepetível, e apetece chorar."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Porto, Edições Asa, 1992, pp.27-28.
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Porto, Edições Asa, 1992, pp.27-28.
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