quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os filhos fazem nascer as mães

Os filhos fazem nascer as mães muito antes do dia do nascimento, às vezes devagarinho, às vezes num sobressalto, como é próprio dos grandes acontecimentos que mudam para sempre para a face da Terra - pelo menos a face que reconhecemos como nossa, nos limites que nos permitem fincar o pé e saber quem somos.
Os filhos nascem num tempo indeterminado, marcado pelo compasso dos sonhos e dos medos, e crescem acompanhados do barulho ritmado do coração das mães, nessa espera apaixonada que conhece a violência dos contrários - alegria e angústia, esperança e desalento, sorrisos e lágrimas.
Os filhos chegam para fazerem as mães acreditar que são as pessoas mais insignificantes e mais importantes do mundo, que não pertencem a si mesmas e que é preciso cautela com o que fazem de si.
Os filhos reinventam as mães em cada dia porque as olham como uma extensão do seu eu que está a aprender a ser, e para se afastarem precisam de uma mão que os agarre - as mães sabem que têm de ensinar os filhos a saltar os muros que não se cansam de refazer, pedra a pedra.

Há nove anos nasciam as minhas filhas, após uma longa espera que me fez nascer mãe antes de saber sequer do milagre da sua existência. É difícil fugir aos lugares comuns quando se fala dos filhos, sobretudo dos próprios. São as crianças mais especiais do mundo, porque são as minhas. E são as melhores filhas que uma mãe pode ter. O amor diz-se assim, com banalidades. Feliz aniverário, filhas.

Um comentário:

sona disse...

Parabéns pelas tuas duas filhas lindas, beijinho