"Eis uma outra forma de darmos sentido à expressão 'lugares de memória'. Tudo o que me acontece acontece no passado (Freud: 'um afcto está sempre no passado'). Mas cada lugar em que me instalo e enraízo é sobretudo, na melancolia das suas referências, o lugar de uma felicidade futura. Praias do Brasil, costas da Bretanha, hotéis decadentes à beira-mar com o bafo quente nas madeiras que rangem e a humidade dos musgos. A memória enrola-se em torno destes dias esguios que se subtraem à indiferença dos calendários. Um lugar da memória não é mais do que isto: um tecido que se deixa embeber pelo azul do céu e pelo azul do mar."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi. Diário II, Porto, Edições Asa, 1994, p.194
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