segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia dos pais

A todos os pais que um dia estremeceram perante o sorriso adormecido dos seus filhos. Ao meu pai, que partiu prematuramente. Ao pai das minhas filhas, que reinventa o amor em cada gesto quotidiano. Obrigada por existirem, pais presentes e pais presentes de outra maneira.

Os filhos são figuras estremecidas
e, quando dormem, a felicidade
cerra-lhes as pálpebras, toca-lhes
...
os lábios, ama-os sobre as camas.
É por mim que chamam quando temem
o eclipse e o temporal. Trazem nos cabelos
o aroma do leite e da festa das rosas.
Voam-me por entre os dedos, por entre
as malhas da rede de espuma
que lanço a seus pés. Reinam
num sítio de penumbra onde não
me atrevo sequer a dizer quem sou.

José Jorge Letria, in Os Achados da Noite




(Não gosto particularmente dos dias disto e dias daquilo, mas todas as regras admitem exceções e hoje, dia de S.José, quebro esta. Fica o poema e duas páginas de um belo livro para adultos e crianças: P de Pai de Isabel Martins e Bernardo Carvalho, que pode ser visto aqui .)

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