A todos os pais que um dia estremeceram perante o sorriso adormecido dos seus filhos. Ao meu pai, que partiu prematuramente. Ao pai das minhas filhas, que reinventa o amor em cada gesto quotidiano. Obrigada por existirem, pais presentes e pais presentes de outra maneira.
Um blogue de pequenos absurdos...sobre literatura, quotidiano, cultura, acontecimentos. Ideias para negar a melancolia e procurar caminhos.
segunda-feira, 19 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
O próximo horizonte
Vou estar, nos próximos dias, aqui.

Prometo uma reportagem de palavras, imagens e sugestões. É mais uma escapada das nossas, a uma cidade que há muito planeavamos conhecer. Por estes dias, andei a comentar o valor de "consumos" como estes, em tempos que parecem convidar a um atrofiamento das vontades (a mais eficaz das formas de submissão). Quando perder o desejo de conhecer outros céus, estarei morta por dentro.
Prometo uma reportagem de palavras, imagens e sugestões. É mais uma escapada das nossas, a uma cidade que há muito planeavamos conhecer. Por estes dias, andei a comentar o valor de "consumos" como estes, em tempos que parecem convidar a um atrofiamento das vontades (a mais eficaz das formas de submissão). Quando perder o desejo de conhecer outros céus, estarei morta por dentro.
terça-feira, 13 de março de 2012
A minha terra
Uma pergunta recorrente, no quotidiano de qualquer pessoa, é a tão prosaica indagação "de onde é?". Se, para algumas pessoas, enraizadas em locais onde sempre viveram, a resposta é simples, noutros casos, não é bem assim, porque à terra da nascença se somou a terra da criação, a terra onde se vive, e entre ambas (ou as 3, ou as 4, ...) se teceu uma intrincada teia de afetos, partilhas e até mesmo ressentimentos.
De onde é? A resposta pode ser múltipla, mas mais frequemente afirmarei que sou da Guarda, onde vivo há mais de 20 anos e onde pertenço, nessa relação identitária que é sempre provisória e instável, mas nem por isso menos verdadeira.
Ficam, por isso, algumas imagens da minha terra. Mais que fotografias, impressões que vou ensaiando, nesse projeto recente que é a minha iniciação (mais consciente) neste campo.
De onde é? A resposta pode ser múltipla, mas mais frequemente afirmarei que sou da Guarda, onde vivo há mais de 20 anos e onde pertenço, nessa relação identitária que é sempre provisória e instável, mas nem por isso menos verdadeira.
Ficam, por isso, algumas imagens da minha terra. Mais que fotografias, impressões que vou ensaiando, nesse projeto recente que é a minha iniciação (mais consciente) neste campo.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Quem és tu de novo
O grande Jorge Palma, numa música que não será das mais conhecidas, mas que para mim é das mais belas, na letra como na música. A grande poesia vive (também) aqui. Simplesmente arrepiante.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Viagens (1)
Viajar é, para mim, uma necessidade vital, um prazer que enche cada um dos meus poros e me transfigura, no melhor sentido: sinto-me, a cada partida e a cada regresso, cheia de energia, de confiança e de sonho, como se tudo fosse possível simplesmente porque estiquei as fronteiras do quotidiano até horizontes mais ou menos remotos.
Tudo na viagem me agrada e ponho um cuidado especial naquilo que antecede a partida: escolher destinos, planear a logística, procurar informação, prever roteiros, comprar o que seja necessário, fazer as malas, verificar tudo e sair de casa. Esta pré-viagem é já uma parte fundamental do prazer de viajar e não seria capaz de abdicar dela. Encarrego-me, pois, da planificação da viagem com a maior minúcia e aqui gosto de trabalhar a solo...ao meu companheiro de viagem, que em mim confia para esta tarefa, apresento já soluções, alternativas reduzidas, enfim, o resultado de horas de maturação a que só um tonto chamaria...perder tempo!
Parafraseando a célebre lei de Lavoisier (com liberdade expressiva), pode-se dizer que na viagem nada se perde, nada se cria...tudo se transforma, numa vivência partilhada que deixa na memória a semente para mais dias felizes.
Estas fotografias são, como facilmente se reconhece, dessa ilha de bruma que é a Terceira, nos Açores. Uma viagem no Carnaval de 2011, com o Jorge, que encheu as medidas: o jantar no Boca Negra (recomendação numa rede social), as caminhadas nos Mistérios Negros e no Monte Brasil (percursos escolhidos e impressos antecipadamente), o encontro com a minha ex-aluna Marisa e a simpática família (mensagem enviada uns tempos antes), os passeios pela cidade (guias recuperados de outra viagem)... Sem margem para o imprevisto? Não... uma viagem é um ovo, carregadinho de supresas, e esta não foi exceção!
Tudo na viagem me agrada e ponho um cuidado especial naquilo que antecede a partida: escolher destinos, planear a logística, procurar informação, prever roteiros, comprar o que seja necessário, fazer as malas, verificar tudo e sair de casa. Esta pré-viagem é já uma parte fundamental do prazer de viajar e não seria capaz de abdicar dela. Encarrego-me, pois, da planificação da viagem com a maior minúcia e aqui gosto de trabalhar a solo...ao meu companheiro de viagem, que em mim confia para esta tarefa, apresento já soluções, alternativas reduzidas, enfim, o resultado de horas de maturação a que só um tonto chamaria...perder tempo!
Parafraseando a célebre lei de Lavoisier (com liberdade expressiva), pode-se dizer que na viagem nada se perde, nada se cria...tudo se transforma, numa vivência partilhada que deixa na memória a semente para mais dias felizes.
Estas fotografias são, como facilmente se reconhece, dessa ilha de bruma que é a Terceira, nos Açores. Uma viagem no Carnaval de 2011, com o Jorge, que encheu as medidas: o jantar no Boca Negra (recomendação numa rede social), as caminhadas nos Mistérios Negros e no Monte Brasil (percursos escolhidos e impressos antecipadamente), o encontro com a minha ex-aluna Marisa e a simpática família (mensagem enviada uns tempos antes), os passeios pela cidade (guias recuperados de outra viagem)... Sem margem para o imprevisto? Não... uma viagem é um ovo, carregadinho de supresas, e esta não foi exceção!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Mesa dos Sonhos
Mesa dos Sonhos
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
Os poemas não precisam de legendas, nem as deveriam ter. Mas quando lemos um poema de que gostamos muito - e eu gosto muito da poesia de Alexandre O'Neill - dá-se o reconhecimento de uma verdade interior, que implusiona a expressão e motiva a palavra. Os poemas também não são monumentos. Podemos falar deles, com eles e sobre eles - por isso estão vivos.
A "mesa dos sonhos" de que fala O'Neill é um grito de esperança num tempo de pessimismo e desilusão, como era o dele - a longa sombra salazarista - como é, de certo modo e talvez inesperadamente também o nosso tempo. Defendemo-nos da morte com os sonhos, ao lado uns dos outros - precisamos de um pequeno aburdo destes, todos os dias.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Prémios e concursos...de textos académicos
Estou, por estes dias, às voltas com a segunda revisão do que há-de ser o meu segundo ensaio publicado. Resultado da tese de doutoramento, chega ao prelo com alguns anos de atraso e depois de múltiplas tentativas frustradas para o publicar em editoras comerciais. Mais de uma dezena de cartas enviadas, duas ou três respostas recebidas, e sempre com o lamento de que não é possível, tenha lá paciência. Ensaios literários não vendem, e sem um mecenas apadrinhador, nada feito. Uma das editoras, conhecida e reputada na nossa praça, propunha a publicação a troco da compra de um número muito considerável de exemplares. Ou seja, pagaria e muito para ver o texto em forma de livro. Obrigadinha, mas bem basta não haver contrapartidas financeiras para o trabalho intelectual. O texto é dado, direitos de autor nem se pensa nisso, mas pagar para o publicarem, não merece muito a pena.
Entretanto, surgiu a oportunidade de concorrer a um fundo da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que patrocina a publicação de Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas (é o nome do programa e da coleção), com a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian. Concorri e o meu texto foi selecionado.
(Parêntesis para explicar que eu adoro concursos de todo o género e sou praticante assídua da modalidade.)
Já há uns anitos, coisa semelhante tinha acontecido com a tese de mestrado. Concorri ao Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, na categoria de ensaio literário, e ganhei. O resultado foi este livro...
... publicado pela Difel em 2002, ao abrigo de um protocolo que tinham com a APE.
Refira-se que a Difel não colocava grande empenho nestas publicações - não houve revisão pelo autor, a distribuição era miserável e só por acaso alguém o encontraria nas estantes das livrarias. Também a edição gráfica era feita sem grandes cuidados...valeu-me a bela ilustração feita por uma colega e artista, a Teresa Oliveira, para tornar a capa atraente (o design das risquinhas era obrigatório).
Desta vez, estreio-me nas revisões do texto, e logo duas! Confesso que o livro já podia estar cá fora há muitos meses, não fosse a minha dificuldade em rever quinhentas e tal páginas de cada vez. Há sempre tanto para fazer que esta tarefa vai ficando para trás, apesar de a principal interessada em ver o livro publicado seja, obviamente, eu mesma.
Segunda feira envio as provas para a Gulbenkian e depois basta esperar algum (penso que pouco) tempo.
Já referi que adoro concursos?
Entretanto, surgiu a oportunidade de concorrer a um fundo da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que patrocina a publicação de Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas (é o nome do programa e da coleção), com a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian. Concorri e o meu texto foi selecionado.
(Parêntesis para explicar que eu adoro concursos de todo o género e sou praticante assídua da modalidade.)
Já há uns anitos, coisa semelhante tinha acontecido com a tese de mestrado. Concorri ao Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, na categoria de ensaio literário, e ganhei. O resultado foi este livro...
... publicado pela Difel em 2002, ao abrigo de um protocolo que tinham com a APE.
Refira-se que a Difel não colocava grande empenho nestas publicações - não houve revisão pelo autor, a distribuição era miserável e só por acaso alguém o encontraria nas estantes das livrarias. Também a edição gráfica era feita sem grandes cuidados...valeu-me a bela ilustração feita por uma colega e artista, a Teresa Oliveira, para tornar a capa atraente (o design das risquinhas era obrigatório).
Desta vez, estreio-me nas revisões do texto, e logo duas! Confesso que o livro já podia estar cá fora há muitos meses, não fosse a minha dificuldade em rever quinhentas e tal páginas de cada vez. Há sempre tanto para fazer que esta tarefa vai ficando para trás, apesar de a principal interessada em ver o livro publicado seja, obviamente, eu mesma.
Segunda feira envio as provas para a Gulbenkian e depois basta esperar algum (penso que pouco) tempo.
Já referi que adoro concursos?
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