terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dies Irae

DIES IRAE
Apetece cantar,mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.
 
Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.
 
Apetece morrer,mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

 
Miguel Torga
 
Um poema de que me lembrei de repente, do fundo de uma memória há muito apagada. Felizmente o google encontrou-mo, completo (como vivíamos antes do google?). Lido inteiro, parece-me muito ajustado aos tempos que correm, de gritos surdos e revoltas atadas.

2 comentários:

leonardo.verde disse...

Poderá ouvir este poema musicado por Luis Cília nos anos sessenta.
http://www.youtube.com/watch?v=IR0MXBlVcgQ

ana disse...

Obrigada pela referência!