Começou novembro com o último feriado de Todos-os-Santos, um dia cinzento como tem sido recorrente neste outono de pouco sol e muitas sombras. O tempo como o país, numa morrinha amansada, insidiosa, depressiva.
Começa novembro com um feriado que deixará de o ser, pondo termo a uma longa tradição de peregrinações por esse país fora, numa urgência de visita aos cemitérios que nos marca como povo mais vocacionado para o passado do que para o futuro.
Confesso a minha indiferença relativamente ao fim do que é por quase todos concebido como o "dia dos mortos". Não guardo boas recordações deste dia, sou avessa a cultos de cemitérios, velas e flores e parece-me dispensável haver um dia fixo para que os familiares visitem os "seus" mortos, nas "suas" campas.
Contudo, sou sensível ao facto de que, para muitas famílias, esta era uma ocasião única para reencontrarem os que vivem longe. Por causa deste dia, milhares de pessoas deslocavam-se, com uma fidelidade que nem no natal nem em qualquer outra festividade encontrava paralelo. Suponho que o ritual poderá ser transferido para o fim de semana, mas não será a mesma coisa e penso que o poder de mobilização se perderá, em poucos anos.
Novembro é um mês de dias pequenos e passos mais curtos, encolhidos pelo primeiro frio.
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