quinta-feira, 7 de junho de 2012

Os amigos (2)

Os amigos - os verdadeiros amigos - chegam devagar e instalam-se nas nossas vidas sem pedir licença, com toda a naturalidade, como se a habitassem desde sempre. Não precisamos de os procurar nem de temer a sua perda, porque encontramo-los a cada passo, seja nos cantos das memórias seja no borbulhar dos afazeres. Estão ali, presentes, mesmo quando não os vemos anos a fio ou quando as lembranças das últimas conversas se começam a desvanecer - mas para isso é preciso que tenha havido um tempo de encontro tão absolutamente único, tão completo de intimidade, que a gravação do afeto se torna definitiva.
Os amigos - os verdadeiros amigos - são preciosos e irrepetíveis. É difícil descrever a sua importância sem que se caia no lugar comum, mas diria que são (por banal que seja a imagem) uma âncora que nos agarra à vida, e ao que de mais importante existe nela: a teimosia de acreditar que tudo vale a pena e viver é uma imensa dádiva.
Entre amigos, não se fala muito destas coisas - há um pudor em nos dizermos cúmplices no caminho que vamos fazendo juntos. Mas a cada gesto, a cada palavra, a cada recordação que se partilha, esta certeza emerge de mansinho. Estamos aqui.

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