"Quando penso o que pude escrever ignorando tanto! Mas hoje, que sei um pouco mais, sei apenas o mais que ainda ignoro, e continuo a escrever, porque sei que nunca há tempo para saber, e que afinal não é assim tão importante, desde que, por alguns instantes, tenha sido capaz de pensar, isto é, de entrar no meu corpo de palavras para ser capaz de as mover por dentro e dizer precisamente o que não sei, o que nunca escrevi, tudo o que nunca escrevi, e dizê-lo a alguém, para ti, baixinho, cartas de um jogo perdido, cartas definitivamente por escrever, e o teu nome no fim da página, lugar igual a tantos outros, e, no entanto, neste momento exacto em que o dizes, irrepetível, repito que irrepetível, e apetece chorar."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Porto, Edições Asa, 1992, pp.27-28.
Um comentário:
Sempre tiveste jeito para escrever!De facto não o fazes mal e sabes disso! Ainda bem que resolveste fazê-lo e partilhá-lo com os teus amigos... mas também com os errantes, os desconhecidos, os anónimos... porque dizes coisas que, sem dúvida, podem interessar bem mais do que ao teu umbigo.
Continua!
Ah... e gosto do nome do teu Blogue
Parabéns Ana!
BB
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